Pseudo-santidade

“Pois eu sou o Senhor, vosso Deus. Vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo.” (Lev 11, 44)



Esta é a vontade de Deus: a nossa santificação! (I Ts 4, 3) Nosso primeiro chamado como cristãos é a santidade, fomos criados para ser separados (santos), diferentes, porque recebemos algo diferente, recebemos o Espírito Santificador, portanto, devemos praticar as obras do Espírito e não da carne (Gal 5, 19-25).

A santidade é um chamado e uma vontade de Deus, não é algo imposto a nós, nós aceitaremos vivê-la de forma livre. Podemos também negar viver a santidade, mas Deus nos escolheu pra sermos santos e irrepreensíveis diante dele (Ef 1, 4), precisamos portanto dizer nosso sim. A nossa santidade é construída com não e sim. Precisamos ao mesmo passo que dizemos não ao pecado, dizer sim pro Senhor, e vice e versa, um não se separa do outro, se para cada ação existe uma reação, para cada afirmativa existe uma negativa. Se eu afirmo que o lápis é preto estou negando que ele seja de outra cor, assim, se eu afirmo ser de Deus, estou negando o demônio, e ainda, dizer sim a Deus é aderir a sua obra de salvação e, logo, negar as obras do demônio, o pecado.

Jesus nos deu a liberdade (Gal 5,1), e gozando dessa liberdade é que devemos escolher a santidade, até mesmo para preservá-la, porque os pecados geram vícios e esses aprisionam. Mas vivemos em sociedade, e para nós é muito importante a imagem que mantemos diante dessa sociedade em que vivemos, como um ser social existem padrões que eu devo seguir. O meio religioso onde professamos nossa fé também é um lugar social e mesmo que não percebamos, também produz suas normas, seja de qual religião for.

Muitos de nós confundimos às vezes vida de santidade com a obediência desses padrões sócio-religiosos. Assim é que surge a pseudo-santidade. Não encaramos uma vida santa como um chamado de Deus e um ato de amor ao Senhor, e sim como uma forma de estar inserido na vida de um grupo social. Não tratamos assim o pecado como uma falta contra Deus, e sim algo que mancha nossa imagem diante dos outros, perdendo o verdadeiro sentido do pecado. O pecado é amor de si mesmo até o desprezo de Deus (Sto. Agostinho), na pseudo-santidade Deus não é motivo de nada, mesmo que eu não cometa o ato, Ele não é o motivo, a minha imagem diante do meu grupo social ainda é o motivo, portanto, ainda é amor de si mesmo e o desprezo de Deus.

Não digo aqui daqueles que vivem em pecado escondido, mas falo daqueles que realmente não consumam atos pecaminosos. Existem pessoas que não bebem bebidas alcoólicas, mas não conseguem aceitar o fato de que é errado, simplesmente não bebem para não ficar mau diante das pessoas, não ser criticado ou repreendido. Quando esse olha pra uma cerveja até se irrita interiormente pelo fato de não poder beber, esse em seu coração já está embriagado por aquela bebida. Assim como o homem ou mulher casado que olha para o outro na rua, e em seu coração deseja, imagina coisas, fantasia com o outro, esse já adulterou. Assim como quem não vai pra uma festa para que lá não seja visto, e fica reclamando, murmurando e questionando o porquê não poder estar naquela micareta, afinal, ele gosta tanto, não vê mau nenhum, esse em seu coração já cometeu todas as perversões daquele ambiente, tem pessoas que não vão pra uma festa assim e em pensamento pecam mais do que se tivessem estado lá mesmo.

Não é a mesma coisa do que aquelas pessoas que lutam contra seus desejos, como quem foi viciado em drogas ou álcool, ou mesmo em sexo e luta contra seu vício, esse vai ter desejos fortes, mas seu coração não quer, somente o corpo, peca aquele que o coração deseja, mesmo sem o corpo ser viciado. É uma renúncia onde nem houve não ao pecado e nem sim a Deus, pois não feito por amor e sim por conveniência, logo, foi um sim ao eu, foi amor de si mesmo até o desprezo de Deus. Pseudo-santidade é essa falsa santidade, que os olhos de todos vêem, mas que não chega a Deus, porque enquanto o homem vê a face, Deus vê o coração (II Sam 16, 7). Como nos ensina Jesus, é do coração que saem as más inclinações (Mat 15, 11), portanto, o princípio do pecado está no coração, mesmo que algumas atitudes não sejam consumadas, se eu as desejei no coração, o meu pecado já chegou a Deus que vê o coração. Irmãos, aquele que é de Deus não peca, porque quando pecamos estamos aderindo ao demônio, mas aquele que é Deus tem o Espírito Santo de Deus, e esse Espírito nos faz santos com suas obras de santidade (I Jo 3, 8-9; Gal 5, 22-23).

A santidade está ligada ao amor, a obedecer os mandamentos, porque esse é o amor de Deus, que obedeçamos os seus mandamentos, e se existe amor, os mandamentos não são penosos (I Jo 5, 3-4), portanto queridos, na raiz da santidade está o amor, pois Deus é amor (I Jo 4, 8), e d’Ele brota tudo que é amor, e Ele é o Santo, não pode haver santidade portanto que não tenha brotado d’Ele.

Amemos queridos, Deus é o motivo de tudo, alfa e ômega, princípio e fundamento da santidade, ela vem d’Ele e vai para Ele! Sede Santos, essa é a vontade de Deus!

Seremos jovens profetas e verdadeiros santos!


Carlos Maximiliano
Grupo de oração poder de Deus
Vila Velha

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