Evangelização dos Índios


“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15)

Quem, dentre nós católicos, nunca ouviu críticas às ações da Igreja com relação às missões da era colonial na América? Ou as intermináveis destruições culturais, que tornaram o mundo um lugar mais chato? Essas críticas, podem até, em primeira análise, serem oriúndas de pensamentos piedosos, mas não resistem a análises profundas. Comecemos, pois, enumerando as críticas.

As principais críticas, que se ouvem, ao se deparar, por exemplo, com antropólogos, ou indianistas marxistas são as seguintes: 
  • Destruição da identidade cultural;
  • Imposição religiosa;
  • Introdução de novas doenças;
  • Escravização dos nativos;
  • Introdução do modo capitalista entre as sociedades primitivas.

Para algumas dessas críticas, nem se necessita esforço, como no caso da última. Mas para algumas outras, necessita-se de uma análise mais crítica. 

Por primeiro, ressalto que a Igreja de forma alguma é favorável à violência como forma de conversão. Nem mesmo no vocabulário específico se compreende tamanho afronte à moral cristã. Afirmam os críticos, que nossa Igreja incentiva a conversão, não medindo esforços. Citam, como exemplo, Marcos, capítulo 16 versículo 15. "Ide por todo mundo e pregai a toda criatura’". Pois bem, só o uso da palavra pregar, é motivo de ofensa para alguns, mas é o álibi da Igreja. Para compreender melhor, vejamos como se esclarece na vulgata, de São Jerônimo: "et dixit eis: euntes in mundum universum praedicate evangelium omni creaturae". Segundo o dicionário digital de William Whitaker, praedicate é "proclamar, anunciar, declarar, fazer conhecido, publicar e pregar". A palavra pregar aqui, aparece em último não por acaso. Pregar vem de Praedicare, que na verdade, e isto esquecemos nós em nosso uso do idioma, significa anunciar, proclamar, fazer conhecer. Em pregar, portanto, não há indícios de violência. Um exemplo, da inserção desse conceito, na cultura do índio, é a utilização da palavra "contar, relatar" em guarani  para significar "pregar". Diz-se ‘"bo´e", que é contar, para o sermão, a pregação. Há outro versículo, do mesmo livro, que corrobora essa visão, apresentando a idéia da conversão pelo exemplo:

E disse-lhes: Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali. Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra ele. (Mc 6, 10-11) 

Aqui, há a ordenação, claríssima de Nosso Senhor, para que, fiquemos em um lugar, pregando e convertendo. E, se em algum lugar, rejeitarem nossa mensagem, que nos retiremos de lá, a fim de que esse local amadureça, e a Palavra possa entrar em seus corações. Só a análise desses dois versículos já desconstroem a idéia de que a Igreja deseja apenas escravizar os índios.  

A cultura ocidental, materialista em excesso, tende a relativizar em todas as áreas da vida. Chasterton, em uma crônica, alerta para a falta de finalidade dessa ideologia, que se preocupa apenas com a produtividade, eficiência essa que ele próprio refuta (1958). Ainda na linha de Chasterton, esquecemos, talvez envoltos por esse materialismo abundante, de que os índios, assim como nós e todas as criaturas, vivem para louvar a Deus. Deus, porém, não se revelou diretamente para esses índios, ou não foi por eles aceito. Diz a lenda, que São Tomé teria andado em terras brasileiras, para pregar a palavra de Deus, sendo conhecido por Pa´i Sumé, Senhor Sumé, na língua tupi. Apesar de ser um santo, não teria sido recebido pelos índios, que o expulsaram, fazendo-o ir à Índia para pregar (NAVARRO, 2004). Inclusive, os tupis da costa, encontrados por Nóbrega e Vieira, eram monoteístas, e não podiam falar o nome de seu deus. Mas, curiosidades à parte, o fato é que não se pode abandonar à miséria, tanto material, quanto espiritual, essas famílias, apenas porque são de nações fósseis’. A velha idéia de que índio não pode usar nem roupas, nem celulares, para ser índio, além de racista, é criminosa. Condena nossos irmãos à miséria e à desesperança. O que se deve buscar, portanto, é a conversão destes povos, não pela força, nem culturalmente, em sentido lato, mas religiosamente e tecnologicamente, para que sejam salvos da miséria a que foram condenados.

É-se, portanto, primordial que nós, profetas jovens, saibamos distinguir a verdadeira conversão, que se fez no Brasil, e que contou com santos apóstolos, da forçada, mentirosa e danosa, que vê-se comum nas missões modernas, e nas cidades. Devemos sim, jovens, ungir-nos, nos prepararmos e tornamo-nos imitadores de Cristo, pois só assim traremos conversão ados demais. Lembremo-nos do Beato Anchieta, que por amor a Deus veio pregar nestas terras, e se entregou como refém aos nativos. Oremos: ‘Beato Anchieta, vós que sois o Apóstolo das selvas, ajudai-nos a seguir vosso exemplo, e por Amor ao Cristo ressucitado espalhar a fé cristã entre os brasis. Que por vossa intercessão junto a Deus Pai tenhamos as virtudes necessárias para realizar esta nobre missão, e que o vosso manto que tanto vos protegeu das agruras de Vera Cruz possa também nos proteger das violências daqueles que não crêem.’

Rauly Absher de Sá e Silva
Curitiba - Paraná
Comunidade Senhor Bom Jesus do Portão







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1 Response to "Evangelização dos Índios"

  1. ana raquel says:
    5 de maio de 2010 19:08

    Parabééééns! Ficou òtimooo!

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