Imagens: Idolatria ou um culto santo?

“Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra. Não te prostrará diante delas e não lhes prestarás culto.” (Ex 20, 4-5a)

Em primeiro lugar, precisamos entender o contexto no qual foi escrito esse livro. Foi escrito por Moisés, faz parte do Pentateuco, os primeiros cinco livros da bíblia cristã, onde traz toda a lei do Senhor. O povo de Deus acabara de ser libertado do Egito, vivia entre povos pagãos. E qual era a prática religiosa desses povos? Eram politeístas, ou seja, adoravam a vários deuses, representados por esculturas. Pra entender melhor o sentido desse texto, vamos recorrer à nota de rodapé da bíblia Ave Maria, pág. 120: “Escultura: de madeira ou de pedra, representando simbolicamente Deus sob a forma de um astro, de um pássaro, de um homem, de um animal, de um a planta, ou de um animal aquático. O que Deus proíbe não é a confecção de uma imagem religiosa qualquer (santos, querubins, serpente de bronze etc.), mas somente a representação figurada de sua pessoa como objeto de adoração.” Como vemos em Ex 25, 18, no mesmo contexto, o próprio Senhor ordena a Moisés a confecção de imagens de querubins para colocar na arca do Senhor: “ Farás dois querubins de ouro, e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro.”

Em primeiro, precisamos observar o sentido da expressão adoração. Essa palavra vem do termo grego latria. Esse é o culto máximo de adoração que se deve somente a Deus. Deus que não poderia ser representado por nenhuma imagem. Os povos pagãos representavam seus deuses por imagens, e acreditavam que a imagem tinha poder, e que a divindade residia dentro da imagem, por isso lhe prestavam um culto de latria, de máxima adoração. Deus como não tinha se revelado, não podia ser representado. Mas, em contra partida, existe um termo teológico chamado de dulia, que quer dizer respeito, admiração. Desse termo grego deriva o termo que usamos: veneração. Esse culto é prestado aos santos. Ao venerar (respeitar, admirar) uma imagem, esse culto se dirige ao santo que ela representa. Daí já podemos entender o que é idolatria: eidolon=ido=ídolos e latria=adoração, portanto, adoração de ídolos, isso acontece quando eu presto culto que se deve somente prestar a Deus a qualquer outra coisa ou ser, como por exemplo uma imagem. Nós católicos veneramos (respeitamos, admiramos) os santos e santas através de suas imagens.

Em Jesus Cristo se renova a doutrina das imagens, porque em Cristo nós vemos o rosto divino do homem e o rosto humano de Deus, pois Deus se revela e se mostra a nós. “Nas imagens dos santos e da virgem Maria vemos o Cristo glorificados neles (CNBB, subsídio nº 2, p.105)”. Desde muito cedo a tradição preserva o culto as imagens (culto de dulia). Considerando a pedagogia das imagens, como uma forma de se falar de Cristo, estimular a oração. “A beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glórias a Deus.” (S. João Damasceno) “A iconografia cristã transcreve pela imagem a mensagem evangélica que a sagrada escritura transmite pela palavra, imagem e palavra se iluminam mutuamente.” (CIC 1160)

“Antigamente Deus que não tinha corpo nem aparência não podia em absoluto ser representado por uma imagem, mas agora que se mostrou na carne e viveu com os homens posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus”. (S. João Damasceno) Os padres da igreja os grandes santos sempre preservaram a tradição das imagens, como uma pedagogia espiritual: “Para proferir sucintamente nossa profissão de fé, conservamos todas as tradições da igreja, escritas ou não-escritas, que nos têm sido transmitidas sem alteração. Uma delas é a representação pictórica das imagens, que concorda com a pregação história evangélica, crendo que, de verdade e não na aparência, o verbo de Deus se fez homem, que é também útil e proveitoso, pois as coisas que se iluminam mutuamente têm sem dúvida um significado recíproco.” (II Conc. De Nicéia, no ano 767)

A tradição da igreja nos ensina a respeitar as imagens, porque ela nos fazem lembrar de Jesus. “Todos os sinais da celebração litúrgica são relativos à Cristo: são-no também as imagens sacras da santa mãe de Deus e dos santos. Significam o Cristo que é glorificados neles. Manifestam a nuvem de testemunhas (Hb 12, 1) que continuam a participar da salvação do mundo e às quais estamos unidos, sobretudo na celebração sacramental. Por meio de seus ícones, revela-se à nossa fé o homem criado a “imagem de Deus”e transfigurado “à sua semelhança”, assim como os anjos, também recapitulados em Cristo.” (CIC 1161)

Pra terminar, colocaremos o texto conciliar sobre a veneração de imagens: “Na trilha da tradição dos santos padres e da tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda a certeza e acerto que a s veneráveis e santa imagens, bem como as representações da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre utensílios e vestes sacras, sobre paredes e quadros, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de nosso Deus e salvador Jesus Cristo, como a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e justos.” (II Conc. De Nicéia: DS 600)

Católico deve adorar somente a Deus, e é isso que a santa doutrina nos ensina, a doutrina católica não ensina adorar imagens, o culto correto das imagens é sim um culto santo, de veneração, respeito e admiração! Não devemos acreditar que as imagens têm “poder”, a não ser de nos lembrar de Cristo, nem que através deles obtemos salvação. As imagens no levam a Cristo, são pedagógicas, não salvadoras, só Cristo nos leva a Deus, e devemos cultuar a imagens nesse sentido, onde elas podem nos aproximar de Jesus. Nem os santos nem as imagens salvam, somente Jesus. “Porque há um só Deus e um só mediador entra Deus e os homens, Jesus Cristo” (I Tm 2, 5). Por isso o culto das imagens é santo, porque nos levam a Jesus, que nos leva ao Pai. Ajoelhar diante das imagens para prestar culto a elas não é algo aconselhável, porque ajoelhar-se (genuflexão) é um gesto de adoração, por isso, nos ajoelharemos sempre, diante da eucaristia, evitaremos estar de joelhos diante de imagens, para não existir confusão.

Sabemos que a piedade popular muitas vezes confundiu os cultos, acontecendo até exageros por parte dos fiéis no culto aos santos e imagens. Mas a cultura do povo é também ação do Espírito Santo, e na piedade popular encontramos corações sinceros e puros, sedentos de Deus, portanto, aí vemos um lugar privilegiado de encontrar o Senhor. 

Resumindo: O culto de dulia prestado às imagens é santo, aceito pela igreja, e faz parte da tradição bimilenar da igreja, que é santa, uma, católica e apostólica, acima de tudo, assistida pelo Espírito Santo, e por isso, com o poder de ligar e desligar!
Viva a Igreja!

CIC=Catecismo da Igreja Católica

Carlos Maximiliano
Vila Velha - ES
Grupo de Oração Poder de Deus

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